5 de agosto de 2026

Pensão Alimentícia na Espanha: Como É Calculada e Até Quando Se Paga

Talita Seiscento Baptista 5 min de leitura

A pensão alimentícia na Espanha não é apenas um direito, é uma obrigação legal que envolve responsabilidade, comprometimento e orientação jurídica adequada. Ela deve cobrir tudo o que for essencial para o sustento, moradia, vestuário, educação e formação do beneficiário. Para famílias brasileiras que vivem no país, entender como o valor é fixado e até quando é devido evita surpresas em processos de separação e divórcio.

Quem tem obrigação de pagar?

Ambos os pais têm responsabilidade. Porém, normalmente quem não tem a guarda do filho, pai ou mãe não guardião, paga a pensão ao outro responsável. Esse valor é fixado com base na renda de quem paga e nas necessidades do menor.

Como é calculada a pensão alimentícia na Espanha

O valor não é fixo nem automático. Cada caso é analisado individualmente, levando em conta a capacidade econômica do responsável e os gastos reais do filho. Juízes costumam usar como referência as tabelas do Conselho Geral do Poder Judiciário espanhol (CGPJ), mas elas não são obrigatórias.

Entre os elementos normalmente considerados estão:

  • Renda comprovada de quem paga;
  • Necessidades concretas do filho, como moradia, educação e saúde;
  • Número de filhos que dependem do mesmo responsável;
  • Regime de guarda e tempo de convivência com cada genitor.

Até quando se paga?

Ao contrário do que muitos pensam, a pensão não termina automaticamente aos 18 anos. Ela pode continuar enquanto o filho estiver estudando, procurando emprego ou tiver alguma limitação que impeça sua autonomia financeira.

E os gastos extras?

Despesas médicas, dentistas, óculos e outras necessidades imprevisíveis não entram na pensão mensal. Esses chamados gastos extraordinários devem ser definidos no acordo de separação. Se não houver previsão, podem ser cobrados judicialmente.

Por isso, a redação do acordo importa tanto quanto o valor da mensalidade. Um acordo silencioso sobre gastos extraordinários tende a gerar litígio anos depois.

O que fazer se o outro não paga?

Se existe decisão judicial ou acordo homologado que determina o pagamento de uma pensão alimentícia, é possível abrir um processo de execução. O tribunal pode bloquear salários, contas bancárias, bens ou até reter restituições da Receita.

Em casos graves, o não pagamento pode virar crime, se o responsável tiver condições de pagar e, mesmo assim, não cumprir com a obrigação.

Quando a decisão que fixou a pensão foi proferida no Brasil e a execução precisa ocorrer na Espanha, ou o contrário, é necessário antes o reconhecimento da decisão no outro país. Esse procedimento está explicado no artigo sobre homologação de sentença estrangeira.

Filhos com deficiência

Se o filho tem deficiência e precisa de apoio contínuo, o dever de pagar pensão pode ser por tempo indeterminado. O Tribunal Supremo da Espanha reforça que, nesses casos, não se aplicam automaticamente as regras de extinção da pensão. O foco é garantir a proteção da pessoa com deficiência e o seu interesse superior.

Nova regra: tentativa de acordo é obrigatória

Desde a Lei Orgânica 1/2025, de 2 de janeiro, quem quiser entrar com ação de pensão alimentícia precisa antes comprovar que tentou resolver o conflito por um dos meios adequados de solução de controvérsias (MASC). Só em casos de urgência ou risco para menores ou pessoas com deficiência essa etapa pode ser pulada.

Na prática, isso muda o início do processo: antes de ajuizar, é preciso documentar a tentativa de acordo.

Perguntas frequentes

A pensão acaba quando o filho completa 18 anos?

Não. A obrigação pode continuar enquanto o filho estiver estudando, buscando emprego ou tiver limitação que impeça a autonomia financeira.

As tabelas do CGPJ são obrigatórias?

Não. Elas servem como referência para os juízes, mas o valor é definido caso a caso, conforme a capacidade econômica de quem paga e as necessidades reais do filho.

Consultas médicas e óculos entram na pensão mensal?

Em regra, não. São tratados como gastos extraordinários e devem estar previstos no acordo. Sem previsão, podem ser cobrados judicialmente.

Preciso tentar um acordo antes de entrar com a ação?

Sim, como regra geral, desde a Lei Orgânica 1/2025. A exceção fica para casos de urgência ou risco para menores e pessoas com deficiência.

Conclusão

A pensão alimentícia na Espanha combina critérios econômicos, regras processuais recentes e proteção reforçada em situações de vulnerabilidade. Quando a família tem vínculos com o Brasil e com a Espanha, é comum que a discussão envolva também o divórcio de brasileiros na Espanha e o reconhecimento de decisões entre os dois países.

Para orientação sobre a sua situação específica, entre em contato com o escritório.

Autoria

Talita Seiscento Baptista, OAB/SP 254.824

Advogada com atuação especializada em Direito de Família Internacional e Direito Imobiliário, com foco em operações jurídicas entre Brasil e Espanha. Possui sólida experiência em direito notarial, registral e patrimonial, adquirida ao longo de mais de uma década de atuação como Tabeliã…

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